quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Falta de sistema - Servidor desligado

Olho em meu redor espantada
Quando vejo que ninguém faz nada
De forma programada
A mão-de-obra mecanizada
De repente foi transformada
Uma falha da tecnologia
Transformou tudo como por magia
Os autómatos humanos de repente
Passaram a agir como gente
Pequenas conversas e riso soam no ar
Aqui e além alguém sai para fumar
Outros que nem tempo queriam perder
Para comer ou beber
Aproveitando a pausa bebem um café
Uns sentados e outros de pé
Distraidamente alguns folheiam uma revista
E comentam a vida de algum artista
Mas e breve o sistema informático
Fica de novo operacional
E logo tudo
Volta ao estado normal
Os autómatos humanos
Voltam a olhar de forma vitrea
Inumana,irreal,aérea
os scanners...

domingo, 16 de janeiro de 2011

Tempo

O unico item que nem o mais rico dos homens pode comprar
Não há Tempo pra vender nem ha Tempo para dar
Não pensem que têm Tempo a sobrar
Pois nem sequer têm tempo para por Tempo trocar
Mas perdem tanto tempo a tentar negociar
O pouco Tempo que têm a passar neste lugar
O Tempo pergunta ao Tempo
Quanto tempo o Tempo tem
O Tempo responde ao Tempo:
-Não tenho tempo para ninguém
Onde encontramos o Tempo? Não é fácil de encontrar
Há quem diga que é um Velho numa montanha a descansar
Com uma clepsidra ao lado que está sempre a pingar
Outros dizem que o Tempo nunca pára num lugar
Mas há um sítio certo onde o podemos encontrar
Junto à Hora de Partir ou à Hora de Chegar
Ambas conhecem-no bem e sabem que é Tempo...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Fadinha

Pequena flor,botão rosado
Doce princesa
Num castelo encantado
Brilhante estrela
Que meus sonhos iluminaste
Doce filhita
Que meu coração conquistaste
Desde o dia em que surgiste
Tão pequenina e indefesa
Quando os olhos abriste
Tudo olhaste com candura espantada
Como se pesquisasses o mundo
Sem teres noção de nada
Só então choraste
Como quem fica revoltada
Mas devagar sossegaste
Ao sentires-te abraçada
Fadinha pequena
Com o teu Condão
A esta Fada crescida
Acalmas o coração

quinta-feira, 15 de abril de 2010

SE PARTIRES

Se os olhos fechares
E para sempre partires
Se de mim não te despedires
Não chorarei

Se o teu breve sopro de ar
Para sempre extinto ficar
E no meu nunca se cruzar
Nada direi

Se os teus luminosos dias
Escurecerem no firmamento
E a quem tu sorrias
Já não te puder dar alento

Não gritarei em tormento

Não gritarei em tormento
Por não te poder abraçar
Não falarei do sofrimento
De não te poder mais falar
Não chorarei em lamento
Da dor que sentir ao chorar

Não há deserto na terra
Que suporte o mar do meu pranto
Não existe palavra
Que exprima o sofrimento
Não há grito nem canção
Que diga a dor do coração

Por isso se partires
E de mim não te despedires
Não chorarei
Nada direi....

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Introspecção

Quem és tu?
Tu,que te vês ao espelho todos os dias
Que pensas no destino,nas ironias
No mundo que gira em teu redor
Mas que ignora sempre a tua dor

Que és tu?
Que te julgas gente
Mas que és julgada como coisa
Que te revoltas de repente
Mas não tens quem te oiça
Que te debates na duvida
E te lamentas na solidão
Mas não tens uma ajuda
Alguém que te estenda a mão

Para me tentar conhecer
Olho o espelho para me ver
Mas nem a mim mesma me vejo
Como posso então responder?

Esqueço tudo e saio
Deixo a vida simplesmente correr
E por entre a gente revolta
Que caminha na calçada
Vou passando absorta
Sem que ninguém dê por nada....

domingo, 10 de janeiro de 2010

AMIGO AUSENTE...

Tu foste a folha de acer
Que nasceu já com sabedoria
Com uma luta por vencer
O viver de cada dia...

Tu foste a folha amarela
Que já nasceu com cor defunta
Que lutou contra gélido vento
E a geada mais profunda

Dizias que eras dragão de komodo
Com veneno para toda a gente
O unico veneno que veio de repente
Foi o ficares para sempre ausente

Tu foste a folha de acer
De castanho-vermelho colorida
Cor que noutras folhas
Indicam o fim da vida....

Encontravas folhas dessas
Pelos caminhos caidas
Pelo Outono cortadas
Pelo Inverno suprimidas

Foste também flor de cerejeira
Em jardins orientais
Onde sonhavas ir um dia
E agora nunca vais

Não te quero esquecer
Contigo vou sempre ficar
Continuarás a viver
Enquanto eu te recordar....

(dedicada ao meu amigo Wellsdark)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Força de viver

Num vazio de espaço
Sem forma e sem vontade
Encaro a realidade
Com olhar gasto e baço

A seiva da vida gelada
Nos braços da escuridão
Mantêm a boca fechada
Selam toda a ilusão

Rebelia,baldo esforço
Reage contra o veneno
Que paraliza o corpo
E faz tudo tão pequeno

Sinto ansia de algo
Sinto ansia de luz
Sinto ansia de beber d'um trago
Tudo o que a Vida produz

Mas as forças estão caladas
A alma sem forças,caída
Alegrias outrora amadas
Esgotaram a sua vida


Para sempre encerrada
Numa gaiola de gelo
Espero a Madrugada
Que foge ao meu apelo...