terça-feira, 22 de setembro de 2009

Força de viver

Num vazio de espaço
Sem forma e sem vontade
Encaro a realidade
Com olhar gasto e baço

A seiva da vida gelada
Nos braços da escuridão
Mantêm a boca fechada
Selam toda a ilusão

Rebelia,baldo esforço
Reage contra o veneno
Que paraliza o corpo
E faz tudo tão pequeno

Sinto ansia de algo
Sinto ansia de luz
Sinto ansia de beber d'um trago
Tudo o que a Vida produz

Mas as forças estão caladas
A alma sem forças,caída
Alegrias outrora amadas
Esgotaram a sua vida


Para sempre encerrada
Numa gaiola de gelo
Espero a Madrugada
Que foge ao meu apelo...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Fada

Eu quero ser fada

Com asas de fantasia

num reino de ilusão

onde só haja alegria

Eu quero ser fada

para afastar a solidão

que infesta torpemente

a alma e o coração

Ser luz do sol e ser luar

Ser primavera a despertar

Ser quente verão para amar

até o frio inverno chegar

Eu quero ser fada

mas nunca o serei

sou só a mendiga

à porta do rei

Se me deixares entrar

Então fada serei

Pois a quem me amar

Assim parecerei

Máscaras

Vivemos de ilusões perdidas
Palavras esquecidas
Emoções escondidas
Realidades Distorcidas
Brincamos com pensamentos
Ensaiamos conhecimentos
Escondendo os tormentos
Dos nossos sentimentos
Levantamos escudos
Colocamos armaduras
Erguemos altos muros
Que defendam da amargura
Fugimos do amor
Receando a dor
Refazemos com ardor
Máscaras sem cor
Todos os dias sorrimos
Fingimos,mentimos
Dissimulamos o medo
Como se fosse um segredo
Que não pode ser revelado
Que tem de se manter fechado
Neste mundo de máscaras
Cheio de falsidade
Em que as aparências
São as nossas verdades


Em que as aparências são a nossa verdade

sábado, 30 de maio de 2009

VIDA LISBOETA
Amo a vida
Amo o sentido de existir
Poder sentir
Pulsar o coração
Todo o dia renascida
Olhar até ao horizonte
Onde uma curva serve de ponte
Ao meu sentido de navegação
Adoro sentir bem forte
O cheiro da erva molhada
Ouvir passos na calçada
E o burburinho da multidão
Ver janelas brilhando ao sol
Olhar o Tejo ,ver ao longe o farol
Sentir o vento passar
Carregado de perfumes a café e mar
Um frémito percorre o meu ser
Quero mergulhar no torvelinho humano
Fazer parte, viver
Num frenesim urbano
Olhar para a frente , esperançada
Olhar para trás e já não ver nada
O que doeu, o que sofri
Já não me lembro, já me esqueci.
SONHOS
Sonhos são nuvens
Vagueiam no céu , desfazem-se em água
Lavam a mágoa
Causada pelo desdém
À indiferença enfrentam selvagens
Afoitos, amparados
Sempre reconfortados
Nos sonhos de alguém
Se sonhar é tão fácil
Como ousam dizer
Porquê, então, querer
Escolha mais razoável?
A razão surge da mente
O sonho vem do coração
Apesar de caber na palma da mão
Não há mundo que o sustente.